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Archive for the ‘cotidiano’ Category

Uma Rixa Antiga

16/02/2011 - 20:34 4 comentários

Dia destes ouvi algumas histórias que para se tornar um paulista, deve-se cumprir alguns requisitos como sofrer um sequestro relâmpago, sobrevier a uma enchente, quase ser atingido por uma bala perdida, ou ser atingido, contanto que sobreviva, presenciar uma briga de torcidas e principalmente pra quem é do sul, ir até uma padaria e pedir ‘brigadeiro’ ao invés de ‘negrinho’ e nem pensar em pedir ‘cacetinho’, mas sim pão francês. Ahhh e claro, saber o que raios é a tal da ‘escarola’.

Briga na torcida do São Paulo

<Briga na torcida do São Paulo>

São Paulino se afogando na enchente

<São Paulino se afogando na enchente>

Como não me interesso muito em me tornar paulista, bem, ao menos em cumprir a lista de exigências, não me preocupei muito em procurar uma forma de fazê-lo. Mas que chove pra caramba aqui é fato. Quanto isto, talvez haja um motivo para tal.
Os antigos contam uma lenda que é passada geração após geração que certa feita São Pedro sentiu-se um tanto quanto…. renegado.

Chuva em SP
Eis o causo. São Paulo nem sempre se chamou assim, dizem os antigos. Nem a cidade, nem o estado. As pessoas que viviam na região eram devotos fervorosos de São Pedro, como todo o bom católico. Nomeariam assim a região. Estado e cidade de São Pedro. Planejaram a maior festa já realizada até a época, porém para que tudo desse certo, precisavam prosperar, e para isto dependiam de chuvas. Porém meses antes da tal planejada festa, enfrentou-se uma seca com proporções jamais vistas até então. Eis que o povo ficou irado com o dito santo e batizou a região de São Paulo, para talvez causar um certo ciúmes no santo responsável por clima e tempo. O fato é que as coisas não mudaram muito. A região foi crescendo e tiveram algumas chances de reverter a rixa com o tal santo. Mas resolveram sacaneá-lo outra vez. Ou melhor, outras vezes. São Paulo é rodeada por Santo André, São Bernardo e São Caetano como prova disso. A rixa é antiga, e dizem os antigos estar aí o motivo de tantas chuvas, alagamentos e até mesmo o apelido da ‘Terra da Garoa’.

SP + ABC
Se tal lenda é verdadeira ou não, eu não sei. Mas que a chuva não é tão severa assim em ‘São Pedro do Norte’, eu tenho certeza que não. Assim como na República do Estado de São Pedro. Por aqui, o cara (são Pedro) dá um aviso só (trovão) e joga, mas joga de balde.

Aviso do 'cara'
Mas e agora, como se redimir com um santo já magoado a tanto tempo???

O 'cara' magoado

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Categorias:cotidiano

Mais do que Bom Senso

13/01/2011 - 13:41 4 comentários

Tempos atrás estava eu em um supermercado quando presenciei uma cena deplorável. A moça que estava atendendo no caixa colocou, após o último cliente da fila, que já era curta, aquela plaquinha que todos ‘adoramos’: ‘Fechado, favor dirigir-se ao caixa ao lado’. Um homem, que provavelmente não viu a placa, deixou os filhos pequenos na fila e foi pegar um saco de gelos. Na volta a moça educadamente o informou que o último cliente já estava sendo atendido (não era ele) e que, portanto, ele deveria se direcionar a outro caixa.

Neste momento o home veste uma armadura de arrogância e começa a proferir xingamentos à atendente. Diz que ela não tinha colocado a tal da placa, que ela teria que atende-lo de qualquer forma e que chamasse o gerente caso discordasse. Até aí tudo bem visto que nem todos tem uma boa educação e a humildade, infelizmente, não faz parte da criação de todos, é de se compreender que tenhamos entre nós, seres dissociáveis. O gerente chega, ouve as colocações, ainda que pífias do irritadiço homem ao que baixa a cabeça, e ordena que a moça o atenda, mesmo com todos nas filas laterais o informando que a placa já estava lá e tal homem das cavernas estava completamente errado. O homem começa a rir ironicamente e não para por um segundo se quer de por a moça para baixo que aos prantos o atendia.


Quisera eu poder dizer aqui que ‘tomei as dores’ da moça e fui tirar satisfações com tal homem desprovido de qualquer educação tendo convencê-lo de que estava redondamente enganado.


Quisera eu poder dizer que mesmo depois do ocorrido fui falar com o despreparado gerente dizendo que agiu de forma completamente equivocada, pois o cliente nem sempre tem a razão, ainda mais quando se quer racional ele é.


Mas não meus queridos leitores (?!) tampouco eu me pronunciei quando este é o final desta ‘maravilhosa’ história. Não sei dizer se me faltou coragem na hora de agir (a mim e a outros clientes que quase enlouqueceram com tal situação), não sei se fiquei meio que sem acreditar no que acontecia, mas uma coisa realmente conseguiu me chocar mais do que toda esta cena. Uma mulher na fila ao lado da minha, na mesma altura comenta: “Nossa, este homem deve ter tido um dia péssimo”.


PQP…. Como assim???!!! Quer dizer que o fato daquele homem agir pior que um quadrúpede e o gerente ter se acovardado (assim como todos nós ali) foi menos importante, ou até mesmo insignificante, a ponto de a tal senhora, sem nem senso do ridículo, pensar no lado do tal cliente retardado (já estão quase me faltando adjetivos pra ele)?!


Que tipo de ser humano tem o direito de se achar tão mais importante que outro, a ponto de destrata-lo e ainda realmente acreditar que está com a razão?
Que tipo de seres-humanos estamos nos tornando que presenciamos cenas de tamanha violência e apenas ficamos horrorizados mas nada fazemos? Ou pior ainda, tentamos entender o lado do agressor e achar uma desculpa plausível para tal comportamento, a fim de talvez nos reconfortarmos de que ‘nem todo mundo é assim’ ou de que ‘ele realmente é uma pessoa boa e tem um motivo para agir desta forma’.


Ninguém tem direito de destratar outra pessoa por qualquer motivo ou muito pior, sem motivo algum. Isso é muito mais do que ter bom senso, é questão de educação. Criamos nossos filhos para serem melhores que os outros, custe o que custar. Para se darem bem na vida, mesmo que a custa dos outros. Para que saibam se defender dos outros. Mas a questão é: Criamos nossos filhos para que os filhos dos outros não precisem se defender dos nossos?

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A noite em que me tornei Porto Alegrense

11/02/2010 - 13:24 4 comentários

Reza uma lenda que para fazer parte da mais bela capital gaúcha do mundo o cidadão de bem deve passar pelo crivo de um determinado estatuto.

Esta mesma lenda diz que o estatuto prevê diversas provas de amor, conhecimento e admiração pela cidade, e que 4 deles são disparados os de maior importância e prioridade. Nem por isto mais são mais difíceis que qualquer outro (pra quebrar qualquer clichê).

São eles:

I) Todo Porto Alegrense DEVE torcer por um dos times da cidade. Sendo ele Azul (Grêmio, Imortal Tricolor!) ou Vermelho (Internacional). Sendo proibido dizer que torce para São José, Cruzeiro, Porto Alegre FC ou algum outro clube de fora da cidade;

Ok, Vamo, Vamo, Vamo Tricolor…

II) Todo porto-alegrense DEVE, pelo menos uma vez na vida, ter visto o pôr-do-sol do Guaíba. Sendo proibida as palmas, gritos de “Uhull” ou “Que lindo” para o fenômeno;

Ok, impossível perder.

III) Todo Porto Alegrense DEVE, pelo menos uma vez na vida, ir ao Brique da Redenção. Mesmo que seja para ficar só rodeando as barraquinhas sem comprar nada;

OK, feito.

IV) Todo Porto Alegrense deve assistir, pelo menos uma vez a cada 5 anos, ao espetáculo Tangos & Tragédias ou Pois é Vizinha. Sendo que estes quase sempre estão em cartaz na capital;

Era “agora ou nunca”.

Logo após o Will mandar e-mail falando sobre o estatuto e convidando para ver Tangos e Tragédias no Teatro São Pedro, durante o Porto Verão Alegre, pensei; “É agora ou nunca”.

Não que nunca mais tivesse outra oportunidade, ou que fosse o encerramento da peça e nunca mais fizessem nenhuma das duas.

Não que Grêmio e Inter falissem ou o pior, para fugir da falência se unirem formando um time só (talvez até ocorra em 2012, mas só depois de o mundo acabar).

Não que o brique estivesse proibido de acontecer, ao menos da forma que é e fosse construído sobre alguma avenida próxima alguma espécie de “Briquódromo”.

E muito menos que o sol se negasse dia a pós dia a ir se esconder no horizonte magnífico do Guaíba.

Mas sim porque conforme o próprio Will ele ainda não havia completado a lista de Deveres do Estatuto do Porto Alegrense.

Ou seja. Desculpa aí Will, mas eu já sou Porto Alegrense, e tu???

Agradecimentos:
- Gê, por pegar fotinhos no orkut.
- Rosália, pelas fotinhos do pôr-do-sol.
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Um dia no "Keoma’s Country Club"

08/02/2010 - 13:05 10 comentários

Situado a cerca de 40km de Porto Alegre, existe o famoso clube lazer Keoma’s Country Club.

Após ouvir diversas histórias sobre a vastidão e elegância do local, alguns colegas e amigos resolveram tirar a prova a fama do tão falado local.

A viagem não é muito longa, mas também não é das mais curtas, afinal 40Km são 40Km. Mais o pedágiozinho, que não podia faltar né, mas vale a pena. Falha deste blogeiro (?!) não registrar a ida e nem a volta.

Mas chegando lá o que não faltou foram atividades (ou quase isto), dente elas……

Tinha gente lagarteando à sombra do jequitibá (sem facão nenhum cravado em si, ao menos não visívelmente).

Pessoas iam e vinham como em passes de mágica.

A garotada se divertindo na piscina (O ‘Nerdinho’ que o diga).

Churras ‘bem pegado’ assado pela equipe (?!) de assadores.


Nerds que não largaram o Note nem na hora da festa (PHP Test Fest)


Alguns preferiram um campeonato de Pacau (Fla-Flu ou whatever), outros só na vontade.


Teve gente bodeando, pelo menos até cairem de cabeça na piscina (literalmente).


Resa uma lenda que até futebol rolou na imensidão do Country Club (tambem não registrado pelo blogueiro (?!)).


Anfitrião que não via a hora dos visitantes se mandarem.


Roda de chimarrão, sem chimarrão.

 

Valeu a pena, a final até mesmo a cachorrada aproveitou.

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Decisões

10/08/2007 - 17:26 Deixe um comentário

Sim, invariavelmente elas são constantes.
Desde o primeiro segundo que ele acorda, decide se vai levantar ou não. Decide se vai querer mais aqueles cinco minutinhos clássicos que acabam virando uns trinta no mínimo.Ele levanta, mais ou menos uns 40 minutos depois, decide se toma banho ou não, toma café ou não. Olha no relógio e decide que definitivamente já deveria estar saindo. Faz tudo o mais rápido possível, pega a primeira roupa que ver, o primeiro sapato que vê, as vezes pega uma roupa que usou no dia anterior e nem se da conta, sim isso já é rotina, mas até aí não tem problemas, o tempo é curto, o relógio não perdoa, cada vez menos tempo, várias decisões que seriam tomadas acabam sendo escondidas pela primeira opção, ou a mais rápida. O que obviamente não é de todo o mal, ele odeia tomar decisões. talvez não saiba, talvez demore de mais, talvez seja cauteloso de mais, ou talvez simplesmente não goste.
Tudo bem, quase meia hora se passou e ele está agora fechando a porta de casa. perfeito com um pouco de sorte no trânsito consegue chegar só uns 15 ou 20 minutos atrasado. Mas para isso tem que decidir, corre ou não até a parada de ônibus? pode correr e só perder tempo correndo, pode correr e chegar a tempo de pegar o próximo ônibus. Olha no relógio e se sente empurrado. Corre o mais rápido que pode numa manhã fria de agosto.
Obviamente que quando ele mais precisa, dá tudo errado e o transito só atrasa.
E assim segue o dia, sempre correndo atrás do tempo, sempre tomando decisões, mas espere um pouco… ele não tomou nenhuma decisão autêntica, todas as que tomou foi obrigado, pelo relógio, por compromissos. Mas “ele” mesmo não tomou nenhuma decisão, ao menos não teve muita escolha.
Chega então a hora de tomar decisões de verdade, decisões importantes. Como saber qual a melhor escolha? Como saber a melhor opção? Como saber qual rumo tomar? O que fazer?Nada. Sim, isso mesmo, nada. A final ele não sabe e nem precisa fazer tais escolhas, não sabe lhe dar com elas, não está acostumado, não pratica a tomada de decisões, pois não consegue. A única opção que lhe resta é não tomar as decisões. Ele então espera, pois sabe que em algum momento alguém, ou alguma circunstância o obrigará a escolher um ou outra opção.
E assim ele segue, não toma quase nenhuma decisão, pois sabe que de uma forma ou outra elas por si próprias serão selecionadas por bem ou mal.E assim se segue, dia após dia. Até que ele se depara com uma decisão que ele, e só ele pode tomar, e ele deve escolher, não tem saída, não tem como esperar, não pode pedir ou implorar ajuda, só ele deve decidir.
E agora? o que fazer?

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