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Mais do que Bom Senso

13/01/2011 - 13:41 4 comentários

Tempos atrás estava eu em um supermercado quando presenciei uma cena deplorável. A moça que estava atendendo no caixa colocou, após o último cliente da fila, que já era curta, aquela plaquinha que todos ‘adoramos’: ‘Fechado, favor dirigir-se ao caixa ao lado’. Um homem, que provavelmente não viu a placa, deixou os filhos pequenos na fila e foi pegar um saco de gelos. Na volta a moça educadamente o informou que o último cliente já estava sendo atendido (não era ele) e que, portanto, ele deveria se direcionar a outro caixa.

Neste momento o home veste uma armadura de arrogância e começa a proferir xingamentos à atendente. Diz que ela não tinha colocado a tal da placa, que ela teria que atende-lo de qualquer forma e que chamasse o gerente caso discordasse. Até aí tudo bem visto que nem todos tem uma boa educação e a humildade, infelizmente, não faz parte da criação de todos, é de se compreender que tenhamos entre nós, seres dissociáveis. O gerente chega, ouve as colocações, ainda que pífias do irritadiço homem ao que baixa a cabeça, e ordena que a moça o atenda, mesmo com todos nas filas laterais o informando que a placa já estava lá e tal homem das cavernas estava completamente errado. O homem começa a rir ironicamente e não para por um segundo se quer de por a moça para baixo que aos prantos o atendia.


Quisera eu poder dizer aqui que ‘tomei as dores’ da moça e fui tirar satisfações com tal homem desprovido de qualquer educação tendo convencê-lo de que estava redondamente enganado.


Quisera eu poder dizer que mesmo depois do ocorrido fui falar com o despreparado gerente dizendo que agiu de forma completamente equivocada, pois o cliente nem sempre tem a razão, ainda mais quando se quer racional ele é.


Mas não meus queridos leitores (?!) tampouco eu me pronunciei quando este é o final desta ‘maravilhosa’ história. Não sei dizer se me faltou coragem na hora de agir (a mim e a outros clientes que quase enlouqueceram com tal situação), não sei se fiquei meio que sem acreditar no que acontecia, mas uma coisa realmente conseguiu me chocar mais do que toda esta cena. Uma mulher na fila ao lado da minha, na mesma altura comenta: “Nossa, este homem deve ter tido um dia péssimo”.


PQP…. Como assim???!!! Quer dizer que o fato daquele homem agir pior que um quadrúpede e o gerente ter se acovardado (assim como todos nós ali) foi menos importante, ou até mesmo insignificante, a ponto de a tal senhora, sem nem senso do ridículo, pensar no lado do tal cliente retardado (já estão quase me faltando adjetivos pra ele)?!


Que tipo de ser humano tem o direito de se achar tão mais importante que outro, a ponto de destrata-lo e ainda realmente acreditar que está com a razão?
Que tipo de seres-humanos estamos nos tornando que presenciamos cenas de tamanha violência e apenas ficamos horrorizados mas nada fazemos? Ou pior ainda, tentamos entender o lado do agressor e achar uma desculpa plausível para tal comportamento, a fim de talvez nos reconfortarmos de que ‘nem todo mundo é assim’ ou de que ‘ele realmente é uma pessoa boa e tem um motivo para agir desta forma’.


Ninguém tem direito de destratar outra pessoa por qualquer motivo ou muito pior, sem motivo algum. Isso é muito mais do que ter bom senso, é questão de educação. Criamos nossos filhos para serem melhores que os outros, custe o que custar. Para se darem bem na vida, mesmo que a custa dos outros. Para que saibam se defender dos outros. Mas a questão é: Criamos nossos filhos para que os filhos dos outros não precisem se defender dos nossos?

Categorias:cotidiano