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Decisões

10/08/2007 - 17:26 Deixe um comentário

Sim, invariavelmente elas são constantes.
Desde o primeiro segundo que ele acorda, decide se vai levantar ou não. Decide se vai querer mais aqueles cinco minutinhos clássicos que acabam virando uns trinta no mínimo.Ele levanta, mais ou menos uns 40 minutos depois, decide se toma banho ou não, toma café ou não. Olha no relógio e decide que definitivamente já deveria estar saindo. Faz tudo o mais rápido possível, pega a primeira roupa que ver, o primeiro sapato que vê, as vezes pega uma roupa que usou no dia anterior e nem se da conta, sim isso já é rotina, mas até aí não tem problemas, o tempo é curto, o relógio não perdoa, cada vez menos tempo, várias decisões que seriam tomadas acabam sendo escondidas pela primeira opção, ou a mais rápida. O que obviamente não é de todo o mal, ele odeia tomar decisões. talvez não saiba, talvez demore de mais, talvez seja cauteloso de mais, ou talvez simplesmente não goste.
Tudo bem, quase meia hora se passou e ele está agora fechando a porta de casa. perfeito com um pouco de sorte no trânsito consegue chegar só uns 15 ou 20 minutos atrasado. Mas para isso tem que decidir, corre ou não até a parada de ônibus? pode correr e só perder tempo correndo, pode correr e chegar a tempo de pegar o próximo ônibus. Olha no relógio e se sente empurrado. Corre o mais rápido que pode numa manhã fria de agosto.
Obviamente que quando ele mais precisa, dá tudo errado e o transito só atrasa.
E assim segue o dia, sempre correndo atrás do tempo, sempre tomando decisões, mas espere um pouco… ele não tomou nenhuma decisão autêntica, todas as que tomou foi obrigado, pelo relógio, por compromissos. Mas “ele” mesmo não tomou nenhuma decisão, ao menos não teve muita escolha.
Chega então a hora de tomar decisões de verdade, decisões importantes. Como saber qual a melhor escolha? Como saber a melhor opção? Como saber qual rumo tomar? O que fazer?Nada. Sim, isso mesmo, nada. A final ele não sabe e nem precisa fazer tais escolhas, não sabe lhe dar com elas, não está acostumado, não pratica a tomada de decisões, pois não consegue. A única opção que lhe resta é não tomar as decisões. Ele então espera, pois sabe que em algum momento alguém, ou alguma circunstância o obrigará a escolher um ou outra opção.
E assim ele segue, não toma quase nenhuma decisão, pois sabe que de uma forma ou outra elas por si próprias serão selecionadas por bem ou mal.E assim se segue, dia após dia. Até que ele se depara com uma decisão que ele, e só ele pode tomar, e ele deve escolher, não tem saída, não tem como esperar, não pode pedir ou implorar ajuda, só ele deve decidir.
E agora? o que fazer?

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